Modelo de relatório
Relatório para convênio em terapia ocupacional: modelo e como escrever
O relatório de reavaliação para o convênio é o documento em que a terapeuta ocupacional mostra ao plano de saúde como o paciente evoluiu no período e por que o acompanhamento precisa continuar. Quem lê é, em geral, um auditor da operadora: alguém que não conhece o paciente e procura dados objetivos.
Ele é pedido nas reavaliações periódicas do acompanhamento. O intervalo e o formato variam de uma operadora para outra: a Unimed Paraná, por exemplo, pede reavaliações em no máximo seis meses, com instrumentos padronizados e objetivos de curto, médio e longo prazo. Antes de escrever, confira com a operadora do paciente o que ela pede e se ela tem um formulário próprio.
Abaixo estão as seções, os erros mais comuns, um exemplo fictício e um modelo em Word para baixar. Se preferir, o Relatoria monta este relatório a partir das suas anotações.
O que o relatório precisa ter
Identificação
Nome do beneficiário, data de nascimento e idade, carteirinha, CID quando informado, prescrição médica (médico e data), período avaliado, sessões previstas e realizadas, frequência e carga horária semanal, abordagem e prestador. Identificar o paciente e datar o documento são exigências do registro em terapia ocupacional.
Identificação do acompanhamento
Período, frequência, carga horária e abordagem, exatamente como foram. Para TEA, a ANS registra que o método é indicado pelo médico assistente e, quando ele não especifica, definido pelo terapeuta. Escreva a abordagem como foi indicada.
Objetivos do período e status
Cada objetivo com o status (atingido, parcialmente atingido, não atingido, mantido ou revisado) e o que foi observado para chegar a esse status. Um objetivo por linha facilita a leitura do auditor.
Reavaliação com instrumentos padronizados
Nome do instrumento, datas de aplicação, informante e os resultados anterior e atual, como foram registrados. A Unimed Paraná pede instrumentos padronizados e validados, e o material técnico do TJPR cita, entre outros, SPM, Perfil Sensorial, PEDI e COPM, com reavaliação a cada seis meses ou conforme a técnica.
Evolução funcional
O que mudou na prática (vestir, alimentar-se, brincar, participar da escola) e o que continua limitado. Ligar a evolução à ocupação mostra o efeito da terapia no dia a dia, que é o que justifica o acompanhamento.
Participação da família e da escola
Como a família e a escola participam do plano: orientações dadas, o que fazem em casa, contato com a escola. O material do TJPR inclui no acompanhamento a orientação aos pais e cuidadores e aos profissionais da escola.
Justificativa clínica para continuidade
Por que o acompanhamento ainda é necessário: as limitações que persistem e os objetivos ainda em aberto. A melhora no período entra como evidência de que a terapia funciona, não como motivo para continuar.
Plano para o próximo período
Objetivos atualizados e mensuráveis (com critério, nível de apoio, contexto e prazo), frequência proposta e data da próxima reavaliação.
Local, data e assinatura
Local e data, nome completo, "Terapeuta Ocupacional", número do CREFITO e assinatura, como nos modelos do CREFITO-5. O carimbo pode substituir o nome e o número digitados.
Erros comuns
Números que não estão nas suas anotações
Escores, percentuais, número de sessões ou carga horária estimados de memória. Se o dado não existe, deixe o campo em aberto e complete depois. Material voltado a clínicas que atendem operadoras aponta que elas procuram dados objetivos, não impressões subjetivas.
Objetivos sem critério
"Melhorar a coordenação motora" não permite dizer se o objetivo foi atingido. Prefira o formato: [nome] será capaz de [atividade observável] [nível de apoio] em [critério, por exemplo 4 de 5 oportunidades] em [contexto], até [prazo].
Status sem evidência
Marcar um objetivo como atingido sem dizer o que foi observado. O status precisa vir acompanhado do desempenho que o sustenta.
Usar a melhora como motivo para continuar
"Está evoluindo bem, por isso precisa continuar" mistura as coisas. A melhora mostra que a terapia funciona; o motivo para continuar são as limitações que ainda afetam o dia a dia e os objetivos em aberto.
Atribuir a si um método que o médico indicou
Para TEA, a ANS registra que o método é indicado pelo médico assistente. Se foi assim, escreva "conforme indicação médica"; diga que a terapeuta definiu a abordagem só quando foi o caso.
Discutir cobertura no relatório
Rol da ANS, resoluções, limites de sessões e argumentos jurídicos não cabem num relatório clínico. Desde a RN 541/2022, por exemplo, o rol não limita mais o número de sessões de terapia ocupacional, mas isso é assunto da operadora, não do relatório.
Informação além do necessário
Dados de saúde são dados pessoais sensíveis pela LGPD, e o tratamento deve se limitar ao necessário. O auditor precisa do que justifica a terapia, não do histórico familiar completo.
Assinatura incompleta e termos inadequados
Sem número do CREFITO ou sem local e data, o documento fica incompleto. E evite "portador de autismo" ou "sofre de": prefira "pessoa com transtorno do espectro autista", como no nome da Lei 12.764/2012, ou "pessoa com TEA".
Exemplo
Exemplo fictício
Exemplo fictício, escrito para mostrar forma, tom e extensão. Paciente, datas e resultados são inventados; não descreve nenhuma pessoa real.
Relatório de Reavaliação em Terapia Ocupacional
- Beneficiário(a)
- Lia Moreira
- Data de nascimento e idade
- 20/05/2019 (7 anos)
- Carteirinha
- —
- Diagnóstico (CID)
- —
- Prescrição médica (médico e data)
- Médica assistente (fictícia), 10/02/2026
- Período avaliado
- 03/2026 a 08/2026
- Sessões previstas / realizadas
- 24 previstas, 22 realizadas
- Frequência e carga horária semanal
- 1 sessão semanal de 50 minutos
- Abordagem / método
- Integração Sensorial de Ayres, conforme indicação médica
- Prestador
- Clínica Exemplo
- Data do documento
- 04/09/2026
Identificação do acompanhamento
Lia está em acompanhamento de terapia ocupacional com frequência de uma sessão semanal de 50 minutos, com abordagem de Integração Sensorial de Ayres, conforme indicação da médica assistente. No período, foram previstas 24 sessões e realizadas 22.
Objetivos do período e status
1. Abotoar botões grandes com dica verbal: atingido; abotoa a blusa do uniforme com dica verbal na rotina da manhã. 2. Participar de atividades com massinha por 10 minutos: parcialmente atingido; participa por cerca de 5 minutos e encerra a atividade sozinha. 3. Calçar tênis com velcro sozinha: atingido.
Reavaliação com instrumentos padronizados
Perfil Sensorial 2, respondido pela mãe: na avaliação anterior, quadrante Esquiva com classificação Muito mais que os outros; na reavaliação atual, Mais que os outros.
Evolução funcional
Lia se veste para a escola com menos ajuda e chega com menos conflito à rotina da manhã. Na escola, passou a ficar na mesa durante as atividades de artes, ainda sem tocar em tinta. A tolerância a texturas molhadas segue limitada e interfere na participação nas brincadeiras com outras crianças.
Participação da família e da escola
A família organiza a roupa na ordem de uso e oferece massinha em casa duas vezes por semana. A professora relatou à terapeuta que Lia aceita observar as atividades de artes ao lado de uma colega.
Justificativa clínica para continuidade
A continuidade do acompanhamento justifica-se pela esquiva de texturas, que ainda limita a participação de Lia nas atividades escolares e no brincar com pares, e pelos objetivos ainda em andamento.
Plano para o próximo período
Manter a frequência de uma sessão semanal. Objetivos: Lia será capaz de participar de atividades com massinha por 10 minutos com apoio verbal, em 3 de 4 sessões, até a próxima reavaliação. Lia será capaz de amarrar o cadarço com dica visual em casa, em 3 de 4 tentativas, até a próxima reavaliação. Próxima reavaliação em seis meses.
Cidade Exemplo, 4 de setembro de 2026
Baixe o modelo em Word
O modelo tem os títulos das seções e uma linha de orientação em cada uma, sem dados de paciente. É grátis e não pede cadastro: baixe, apague as orientações e preencha.
Gere este relatório a partir das suas anotações
Conte como foi o período, por escrito ou por áudio, e o Relatoria monta o documento neste formato. Quando falta uma informação, ele pergunta ou avisa em vez de inventar. Você revisa e baixa em PDF ou Word.
Começar grátisGrátis para começar, sem cartão.
Outros modelos
- Relatório para a escola e o PEIA contribuição da terapia ao estudo de caso e ao PEI: participação na rotina escolar, barreiras, estratégias e sugestões.
- Evolução mensalO registro do mês: objetivos trabalhados, intervenções, resposta do paciente, análise e próximos passos.
- Avaliação inicialA primeira avaliação: encaminhamento, histórico, perfil ocupacional, resultados, análise, objetivos e conduta.
Fontes
- Resolução COFFITO nº 415/2012 (registro em prontuário pelo terapeuta ocupacional)
- CREFITO-5, modelos de documentos de terapia ocupacional (relatório e atestado)
- ANS, Parecer Técnico nº 39/2022 (terapias e métodos para TEA; RN 539/2022 e RN 541/2022)
- Unimed Paraná, o plano terapêutico
- TJPR, Comitê de Saúde Suplementar, material técnico sobre TEA
- CollectABA (empresa de software para clínicas), relatórios para operadoras de saúde
- OTbrain, objetivos terapêuticos
- Lei Geral de Proteção de Dados, Lei nº 13.709/2018
- Lei nº 12.764/2012 (Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista)
- Canal Autismo, "autista" ou "pessoa com autismo"?
- AOTA, Guidelines for Documentation of Occupational Therapy (2018)