Modelo de relatório
Evolução em terapia ocupacional: modelo e como escrever o relatório mensal
A evolução registra o que aconteceu no acompanhamento em um período, em geral um mês: o que foi trabalhado, como o paciente respondeu e o que isso significa para os objetivos. Ela faz parte do prontuário: a Resolução COFFITO 415/2012 inclui a evolução entre os conteúdos do registro da terapia ocupacional, que deve ser datado e assinado com o nome completo e o número do CREFITO.
A evolução pode ser registrada a cada sessão ou como um relatório do período. Este guia trata do relatório mensal, que não é a soma das sessões: ele resume o período e diz o que ele significa para os objetivos. Se você registra cada sessão, use esses registros como base.
Quem lê é, antes de tudo, você e a equipe; às vezes também o médico ou o convênio. Por isso o texto precisa se sustentar sozinho: alguém que não estava nas sessões deve entender o que mudou e por quê.
Um estudo que analisou 15 prontuários de terapia ocupacional infantil, com 269 registros de evolução, encontrou o tipo de atividade registrado em todos os prontuários, mas dados objetivos sobre a participação do paciente em menos da metade, mais impressões subjetivas do que dados objetivos e nenhuma análise dos resultados em 60% dos prontuários. O modelo abaixo foi pensado para evitar esses problemas.
Abaixo estão as seções, os erros mais comuns, um exemplo fictício e um modelo em Word para baixar. Se preferir, o Relatoria monta esta evolução a partir das suas anotações.
O que o relatório precisa ter
Identificação
Nome, data de nascimento e idade, diagnóstico, período e data do documento.
Período e frequência
Sessões realizadas no período, frequência e faltas, como foram. Situa o leitor antes do conteúdo.
Objetivos trabalhados
Quais objetivos do plano foram trabalhados no mês. É o que liga a evolução ao plano terapêutico; aqui basta nomeá-los.
Intervenções e recursos
O que foi feito nas sessões e com quais recursos e estratégias. Descreva o suficiente para mostrar a relação com os objetivos, sem transformar a seção numa lista de atividades.
Resposta e desempenho
Como o paciente respondeu e o desempenho observado, com o nível de apoio (dica verbal, ajuda física parcial, de forma independente). Inclua o que não mudou ou piorou. A literatura sobre documentação em TO recomenda registrar também as respostas negativas, para não deixar dúvida sobre o que foi observado.
Análise
O que o período significa para os objetivos: o que avançou, o que se manteve, o que precisa de ajuste e por quê. Tornar o raciocínio clínico explícito é o que diferencia uma evolução de um diário de sessões. No estudo citado acima, a análise dos resultados faltava em 60% dos prontuários.
Orientações e próximos passos
Orientações à família e à escola e os ajustes no plano para o próximo período. No mesmo estudo, recomendações de conduta (manter ou mudar o número e o tipo de atendimento) faltavam em 87% dos prontuários.
Assinatura
Local e data, nome completo, "Terapeuta Ocupacional", número do CREFITO e assinatura. Pela Resolução COFFITO 415/2012, o prontuário é guardado por pelo menos cinco anos depois do último registro, e o prontuário eletrônico é permitido se registrar o nome completo e o CREFITO da terapeuta.
Erros comuns
Lista de atividades no lugar de evolução
"Realizadas atividades de encaixe, circuito e massinha." Diz o que foi feito, mas não como o paciente respondeu nem o que isso significa. Cada intervenção precisa de uma resposta e de uma análise.
Misturar observação e interpretação
"Estava ansioso" é interpretação; "levantou da mesa três vezes durante a atividade de recorte" é observação. Escreva primeiro o que foi observado, depois o que isso indica.
Registrar só o que melhorou
O que não mudou ou piorou também é informação clínica: mostra onde o plano precisa de ajuste e sustenta a continuidade do acompanhamento.
Copiar o texto do mês anterior
Repetir a evolução do mês passado com poucas mudanças esconde o que de fato aconteceu no período. Se nada mudou, diga isso e explique o que será ajustado no plano.
Elogios genéricos
"Colaborativo e participativo" não diz nada sobre o desempenho. Troque por um comportamento observável ligado ao objetivo.
Números que você não registrou
Número de sessões, percentuais ou tentativas estimados de memória. Se não anotou, não escreva um número: descreva o que observou.
Status de objetivo sem base
Escrever que um objetivo foi atingido sem dizer em que condições o paciente realizou a atividade, com que apoio e com que frequência.
Falar só de componentes do corpo
Tônus, força e atenção importam, mas a evolução em TO precisa dizer o que mudou no desempenho ocupacional: AVD, brincar, escola, participação social.
Termos inadequados
Evite "portador", "sofre de", "doença", "normal" ou "anormal". Para autismo, "pessoa com TEA" ou "pessoa autista", conforme a preferência da pessoa ou da família.
Exemplo
Exemplo fictício
Exemplo fictício, escrito para mostrar forma, tom e extensão. Paciente, datas e resultados são inventados; não descreve nenhuma pessoa real.
Relatório de Evolução em Terapia Ocupacional
- Nome
- Lia Moreira
- Data de nascimento e idade
- 20/05/2019 (7 anos)
- Diagnóstico
- —
- Período
- 09/2026
- Data do documento
- 30/09/2026
Período e frequência
Em setembro, Lia compareceu a 4 sessões semanais, sem faltas.
Objetivos trabalhados
Foram trabalhados os objetivos de abotoar a blusa com dica verbal e de participar de atividades com massinha.
Intervenções e recursos
As sessões combinaram treino de abotoar em colete com botões grandes, brincadeiras de esconder objetos na massinha com uso de espátula e atividades na rede para organização sensorial antes das tarefas de mesa.
Resposta e desempenho
Lia abotoou o colete com dica verbal em todas as sessões. Aceitou tocar a massinha com a espátula e, na última sessão, com a ponta dos dedos. A recusa a tinta não mudou no período.
Análise
O objetivo de abotoar está próximo de ser atingido e pode passar para a rotina de casa. A aceitação gradual da massinha mostra que o uso de um material intermediário funciona para Lia; a tinta segue como próxima etapa, sem pressa.
Orientações e próximos passos
Orientou-se a família a deixar a blusa com botões para Lia abotoar sozinha nas manhãs sem pressa. Para o próximo mês, introduzir tinta com pincel grosso.
Cidade Exemplo, 30 de setembro de 2026
Baixe o modelo em Word
O modelo tem os títulos das seções e uma linha de orientação em cada uma, sem dados de paciente. É grátis e não pede cadastro: baixe, apague as orientações e preencha.
Gere este relatório a partir das suas anotações
Conte como foi o período, por escrito ou por áudio, e o Relatoria monta o documento neste formato. Quando falta uma informação, ele pergunta ou avisa em vez de inventar. Você revisa e baixa em PDF ou Word.
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Outros modelos
- Relatório para convênioA reavaliação que vai para o plano de saúde: objetivos com status, instrumentos e justificativa para continuar.
- Relatório para a escola e o PEIA contribuição da terapia ao estudo de caso e ao PEI: participação na rotina escolar, barreiras, estratégias e sugestões.
- Avaliação inicialA primeira avaliação: encaminhamento, histórico, perfil ocupacional, resultados, análise, objetivos e conduta.
Fontes
- Resolução COFFITO nº 415/2012 (registro em prontuário pelo terapeuta ocupacional)
- Pelissari e Palhares, registro da intervenção em terapia ocupacional (Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional)
- Panzeri e Palhares, documentação clínica em terapia ocupacional (Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional)
- Bombarda e Joaquim, raciocínio clínico em terapia ocupacional (Revista de Terapia Ocupacional da USP)
- Estrutura da Prática da Terapia Ocupacional, 3ª edição traduzida (Revista de Terapia Ocupacional da USP)
- AOTA, Guidelines for Documentation of Occupational Therapy (2018)
- CREFITO-5, modelos de documentos de terapia ocupacional (relatório e atestado)
- Canal Autismo, "autista" ou "pessoa com autismo"?