Modelo de relatório
Avaliação inicial em terapia ocupacional: modelo de relatório e como escrever
O relatório de avaliação inicial registra a primeira avaliação do paciente e justifica o plano de tratamento: por que ele chegou, como é o dia a dia dele, como foi avaliado, o que foi encontrado e o que você propõe. É a base dos documentos que vêm depois, como as evoluções, o plano terapêutico e as reavaliações.
Quem lê é a equipe, o médico que encaminhou e você mesma, nas próximas reavaliações. A Resolução COFFITO 415/2012 lista o que o prontuário da terapia ocupacional precisa conter, entre outros itens: identificação; história clínica, com queixa principal, hábitos, história atual e pregressa e antecedentes pessoais e familiares; exame clínico, educacional e social; exames complementares; diagnóstico e prognóstico terapêutico ocupacional; e plano terapêutico.
Num estudo com os registros de atendimento de 15 prontuários de um ambulatório infantojuvenil de terapia ocupacional, a história clínica faltava em 80% deles e as recomendações de conduta, em 87%. O estudo não permite generalizar, mas mostra partes fáceis de esquecer; um bom modelo de avaliação pede essas partes de forma explícita.
Abaixo estão as seções, os erros mais comuns, um exemplo fictício e um modelo em Word para baixar. Se preferir, o Relatoria monta este relatório a partir das suas anotações.
O que o relatório precisa ter
Identificação
Nome, data de nascimento e idade, diagnóstico e CID quando informados, quem encaminhou, data ou datas da avaliação, informantes e data do documento.
Motivo do encaminhamento e queixa principal
Quem encaminhou, por quê, e as principais preocupações da família, com as palavras dela quando você as anotou. É o ponto de partida do raciocínio clínico.
Histórico
Desenvolvimento, saúde, família, escola e rotina. É o que explica o contexto do que você observou, e faltava em 80% dos prontuários do estudo citado acima.
Perfil ocupacional
Papéis, rotina e interesses: o que a criança faz e o que quer ou precisa fazer nas AVD, no brincar, na educação e na participação social. Use os termos da Estrutura da Prática da Terapia Ocupacional (3ª edição, tradução brasileira), como AVD, AIVD e habilidades de desempenho.
Procedimentos de avaliação
Os métodos usados (observação, entrevista, instrumentos padronizados), com datas de aplicação e informante. Na avaliação de crianças com TEA, uma sequência descrita em trabalho da UnB é a anamnese seguida de instrumentos como Denver II, PEDI e Perfil Sensorial.
Resultados
Por área: AVD, habilidades motoras e de processo, processamento sensorial, brincar, interação social e desempenho escolar. Resultados de instrumentos como você registrou, na forma de apresentação do manual: o Perfil Sensorial 2, por exemplo, é interpretado por quadrante e por seção sensorial, e o curso da Pearson sobre ele liga os quadrantes ao desempenho ocupacional.
Análise do desempenho ocupacional e diagnóstico terapêutico ocupacional
Potencialidades e limitações, como afetam o dia a dia e o raciocínio que liga os resultados ao plano. O diagnóstico e o prognóstico terapêutico ocupacional estão entre os conteúdos do prontuário na Resolução COFFITO 415/2012.
Objetivos terapêuticos
Objetivos de curto e longo prazo, mensuráveis e ligados a uma ocupação, com nível de apoio, critério, contexto e prazo. Se usar a COPM, registre desempenho e satisfação de 1 a 10: na reavaliação, uma mudança de 2 pontos ou mais é considerada clinicamente significativa.
Conduta e recomendações
Frequência e duração propostas, abordagem, orientações à família e à escola, encaminhamentos e data prevista para a reavaliação. No estudo citado acima, recomendações de conduta faltavam em 87% dos prontuários.
Local, data e assinatura
Local e data, nome completo, "Terapeuta Ocupacional", número do CREFITO e assinatura, como nos modelos do CREFITO-5.
Erros comuns
Pular o histórico
Sem desenvolvimento, saúde, família e rotina, quem lê não entende o contexto das dificuldades.
Terminar sem recomendações
A avaliação que acaba nos resultados deixa a família, a escola e a equipe sem saber o que fazer. Feche com frequência proposta, orientações, encaminhamentos e data de reavaliação.
Resultados sem nome, data e informante
Um escore sem o nome do instrumento, a data de aplicação e quem respondeu não pode ser comparado na reavaliação. Registre os três, e os resultados como saíram da aplicação.
Preencher o que não foi anotado
Número de sessões de avaliação, datas de aplicação ou falas da família reconstruídas de memória. Se não está nas suas anotações, deixe em aberto e complete depois.
Listar resultados sem análise
Resultados por área sem dizer o que significam para o dia a dia. A análise é o que justifica os objetivos e a conduta.
Só componentes do corpo, sem perfil ocupacional
Tônus, força e atenção sem dizer o que a criança faz, quer e precisa fazer em casa, na escola e no brincar.
Objetivos sem critério ou prazo
"Melhorar a autonomia nas AVD" não permite medir. Prefira: [nome] será capaz de [atividade observável] [nível de apoio] em [critério] em [contexto], até [prazo].
Termos inadequados
Evite "portador", "sofre de", "doença", "cura", "normal" ou "anormal". Prefira "pessoa com transtorno do espectro autista", como no nome da Lei 12.764/2012, "pessoa com TEA" ou "pessoa autista", conforme a preferência da pessoa ou da família.
Exemplo
Exemplo fictício
Exemplo fictício, escrito para mostrar forma, tom e extensão. Paciente, datas e resultados são inventados; não descreve nenhuma pessoa real.
Relatório de Avaliação Inicial em Terapia Ocupacional
- Nome
- Lia Moreira
- Data de nascimento e idade
- 20/05/2019 (7 anos)
- Diagnóstico
- —
- CID
- —
- Encaminhado por
- Pediatra
- Data(s) da avaliação
- 09/03/2026 e 16/03/2026
- Informante(s)
- Mãe
- Data do documento
- 20/03/2026
Motivo do encaminhamento e queixa principal
Lia foi encaminhada pela pediatra para avaliação de terapia ocupacional por dificuldades nas atividades de autocuidado e na participação nas brincadeiras com outras crianças. A mãe relata que a principal preocupação é a dificuldade para se vestir sozinha pela manhã e a recusa em participar de atividades com tinta e massinha na escola.
Histórico
Lia mora com os pais e um irmão mais velho. Frequenta o 2º ano do ensino fundamental em escola regular, no período da manhã. Segundo a família, andou e falou as primeiras palavras dentro do esperado e sempre preferiu brincadeiras com regras fixas. A rotina da manhã é o momento de maior conflito em casa.
Perfil ocupacional
Nas AVD, Lia se alimenta sozinha e usa o banheiro com independência, mas precisa de ajuda física para vestir roupas com botões e para calçar tênis com cadarço. No brincar, prefere quebra-cabeças e jogos de montar, e evita atividades com texturas molhadas. Na escola, participa das atividades de leitura e se afasta das atividades de artes. A família gostaria que ela se arrumasse sozinha para a escola.
Procedimentos de avaliação
A avaliação foi realizada em duas sessões, com entrevista com a mãe, observação livre e dirigida da criança em atividades de autocuidado e brincar, e aplicação do Perfil Sensorial 2, respondido pela mãe.
Resultados
AVD: veste camiseta e calça sozinha; abotoa com ajuda física em todas as tentativas observadas. Habilidades motoras: preensão em pinça presente, com pouca força para abrir botões. Processamento sensorial: no Perfil Sensorial 2, a mãe registrou o quadrante Esquiva com classificação Mais que os outros. Brincar: inicia brincadeiras de montar e as mantém por longos períodos; recusa massinha e tinta.
Análise do desempenho ocupacional e diagnóstico terapêutico ocupacional
Lia apresenta potencialidades na organização e na persistência em atividades estruturadas. As dificuldades na manipulação de botões e cadarços e a esquiva de texturas limitam sua independência no vestir e sua participação nas atividades de artes na escola. O padrão de esquiva sensorial ajuda a explicar a recusa observada e orienta a escolha de abordagens graduais.
Objetivos terapêuticos
Curto prazo: Lia será capaz de abotoar botões grandes da própria blusa com dica verbal, em 4 de 5 oportunidades, na rotina da manhã em casa, em 3 meses. Longo prazo: Lia será capaz de se vestir para a escola de forma independente, incluindo botões e calçado com velcro, em 5 de 5 manhãs, até o fim do ano letivo.
Conduta e recomendações
Propõe-se atendimento semanal em terapia ocupacional, com abordagem baseada na Integração Sensorial de Ayres e treino de AVD. Orienta-se a família a organizar a roupa da manhã na ordem de uso e a oferecer massinha em casa sem exigência de participação. Sugere-se conversa com a escola sobre a participação nas atividades de artes. Reavaliação prevista após seis meses de acompanhamento.
Cidade Exemplo, 20 de março de 2026
Baixe o modelo em Word
O modelo tem os títulos das seções e uma linha de orientação em cada uma, sem dados de paciente. É grátis e não pede cadastro: baixe, apague as orientações e preencha.
Gere este relatório a partir das suas anotações
Conte como foi o período, por escrito ou por áudio, e o Relatoria monta o documento neste formato. Quando falta uma informação, ele pergunta ou avisa em vez de inventar. Você revisa e baixa em PDF ou Word.
Começar grátisGrátis para começar, sem cartão.
Outros modelos
- Relatório para convênioA reavaliação que vai para o plano de saúde: objetivos com status, instrumentos e justificativa para continuar.
- Relatório para a escola e o PEIA contribuição da terapia ao estudo de caso e ao PEI: participação na rotina escolar, barreiras, estratégias e sugestões.
- Evolução mensalO registro do mês: objetivos trabalhados, intervenções, resposta do paciente, análise e próximos passos.
Fontes
- Resolução COFFITO nº 415/2012 (registro em prontuário pelo terapeuta ocupacional)
- Pelissari e Palhares, registro da intervenção em terapia ocupacional (Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional)
- AOTA, Guidelines for Documentation of Occupational Therapy (2018)
- Estrutura da Prática da Terapia Ocupacional, 3ª edição traduzida (Revista de Terapia Ocupacional da USP)
- Marques (UnB, 2023), trabalho de conclusão de curso sobre a avaliação de crianças com TEA em terapia ocupacional
- Pearson, curso sobre uso e interpretação do Sensory Profile 2 na prática clínica
- Bastos, Mancini e Pyló, COPM (Revista de Terapia Ocupacional da USP)
- OTbrain, objetivos terapêuticos
- CREFITO-5, modelos de documentos de terapia ocupacional (relatório e atestado)
- Lei nº 12.764/2012 (Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista)
- Canal Autismo, "autista" ou "pessoa com autismo"?