Modelo de relatório
Relatório escolar de terapia ocupacional para o PEI: modelo e como escrever
O relatório para a escola é a contribuição da terapia ocupacional ao planejamento do aluno: como ele participa da rotina escolar, o que atrapalha, o que funciona e que apoios podem ajudar. Quem lê são professores, a coordenação e a equipe do AEE, que não são da área da saúde.
Pelo Decreto 12.686/2025, a oferta do atendimento educacional especializado (AEE) não depende de diagnóstico, laudo ou relatório de profissional de saúde. A escola parte de um estudo de caso, com as demandas, as barreiras e os apoios do estudante, e dialoga com profissionais de saúde quando necessário. O decreto também diz que o profissional de apoio escolar não depende de diagnóstico ou laudo, e o Decreto 12.773/2025 acrescentou que essa oferta é avaliada pelo estudo de caso, que também fundamenta o PEI. Por isso este documento é uma contribuição ao estudo de caso e ao PEI, não um atestado de elegibilidade.
Faça este relatório quando a escola pedir uma contribuição da terapia, ao montar ou revisar o PEI do aluno, ou quando a família quiser aproximar a terapia da escola.
Abaixo estão as seções, os erros mais comuns, um exemplo fictício e um modelo em Word para baixar. Se preferir, o Relatoria monta este relatório a partir das suas anotações.
O que o relatório precisa ter
Identificação
Nome do aluno, data de nascimento e idade, escola e turma, data do documento. Sem CID nem nome do diagnóstico: o apoio na escola não depende deles.
Apresentação
Quem é você, desde quando acompanha o aluno e para que serve o documento: contribuir com o planejamento da escola.
Como o aluno participa da rotina escolar
Potencialidades e dificuldades em cada espaço da escola: sala de aula, recreio, banheiro, refeitório e atividades motoras. O estudo de caso parte das demandas do estudante, e descrever por contexto ajuda a escola a planejar.
Barreiras observadas
Barreiras do ambiente, dos materiais, das rotinas e da comunicação. O decreto organiza o estudo de caso em torno das barreiras, não do diagnóstico.
Estratégias que funcionam
O que já funciona na terapia e em casa e pode ser levado para a escola: antecipar a rotina, oferecer um material alternativo, deixar o aluno observar antes de participar.
Sugestões de apoio e adaptações
Ambiente, mobiliário, materiais, tecnologia assistiva e adaptação de atividades, sempre como sugestão. Quando fizer sentido, use os nomes que aparecem em formulários de PEI, como os de um modelo de PEI de uma rede de escolas particulares, disponível no site do Ministério Público do Paraná (MPPR): mediação individual, tempo estendido, redução de enunciados, questões objetivas e adaptação curricular.
Sugestões de metas para o PEI
Metas mensuráveis ligadas à participação escolar, apresentadas como sugestão para a equipe, com critério e prazo. A orientação portuguesa sobre a terapia ocupacional na escola recomenda objetivos SMART no programa educativo individual.
Parecer da terapia ocupacional (opcional)
Até três frases que a escola pode copiar no próprio formulário: aspectos motores e psicomotores, aspectos sensoriais e autonomia na rotina escolar. Esse modelo, por exemplo, pede pareceres por área, incluindo o motor.
Acompanhamento e disponibilidade (opcionais)
Uma linha com a terapia, a frequência e o contato, como o campo de atendimentos com especialistas desse mesmo modelo. E, se quiser, sua disponibilidade para conversar com a escola sobre o caso.
Local, data e assinatura
Local e data, nome completo, "Terapeuta Ocupacional", número do CREFITO e assinatura, como nos modelos do CREFITO-5.
Erros comuns
CID, diagnóstico ou histórico clínico detalhado
Dados de saúde são dados pessoais sensíveis pela LGPD, e o tratamento deve se limitar ao necessário. A escola precisa saber como o aluno participa e o que ajuda, não o histórico clínico. Inclua o CID só se a família pedir e autorizar.
Enviar sem a autorização dos responsáveis
Para dados de crianças tratados com base no consentimento, a LGPD pede consentimento específico e em destaque de pelo menos um dos pais ou do responsável legal (art. 14, § 1º). E o Código de Ética da terapia ocupacional proíbe revelar fatos sigilosos sem justa causa.
Escrever que a escola "deve"
"A escola deve contratar um profissional de apoio" ou "deve oferecer" um recurso. O relatório sugere; quem decide é a equipe escolar, a partir do estudo de caso.
Tratar o relatório como laudo
Escrever que o aluno "tem direito a" um apoio por causa do diagnóstico. Com os decretos de 2025, o apoio deixou de depender de laudo; o que ajuda a escola é a descrição da participação e das barreiras.
Linguagem técnica sem explicação
"Déficit de modulação sensorial", "práxis", "AVD": explique em poucas palavras ou troque por um exemplo do dia a dia escolar. Quem lê é professor.
Falar só da sala de terapia
Descrever o desempenho no consultório sem traduzir para a sala de aula, o recreio ou o refeitório deixa a escola sem ter o que fazer com a informação.
Metas vagas
"Melhorar a atenção" não entra num PEI. Sugira metas com atividade observável, nível de apoio, critério e prazo, por exemplo: participar das atividades de artes por 10 minutos, com apoio verbal, em 3 de 4 aulas, até o fim do semestre.
Repetir achados de outros profissionais
Avaliações do neurologista, da psicóloga ou da fonoaudióloga cabem nos documentos deles. Repeti-las aumenta os dados de saúde compartilhados sem ajudar a escola.
Exemplo
Exemplo fictício
Exemplo fictício, escrito para mostrar forma, tom e extensão. Paciente, datas e resultados são inventados; não descreve nenhuma pessoa real.
Relatório de Terapia Ocupacional para a Escola
- Aluno(a)
- Lia Moreira
- Data de nascimento e idade
- 20/05/2019 (7 anos)
- Escola e turma
- Escola Exemplo, 2º ano do ensino fundamental
- Data do documento
- 15/09/2026
Apresentação
Sou terapeuta ocupacional e acompanho a Lia desde o início do ano. Este relatório reúne observações da terapia que podem ajudar a equipe a planejar os apoios para ela na escola.
Como o aluno participa da rotina escolar
Na sala de aula, Lia se organiza bem quando a rotina está visível e participa com interesse das atividades de leitura e de montar. Nas atividades de artes com tinta, cola ou massinha, costuma se afastar da mesa. No recreio, prefere brincadeiras com regras claras. No refeitório e no banheiro, faz tudo sozinha.
Barreiras observadas
Atividades com texturas molhadas oferecidas sem aviso e sem alternativa, e mudanças de rotina sem antecipação, são as situações em que Lia mais se retrai.
Estratégias que funcionam
Na terapia, ajudam: avisar antes o que vai acontecer, mostrar a atividade primeiro, oferecer luvas ou um pincel para começar, e deixar que ela observe antes de participar.
Sugestões de apoio e adaptações
Sugere-se antecipar as atividades de artes com a rotina visual, oferecer uma alternativa de material (pincel, luva, espátula) e permitir que ela comece observando ao lado de uma colega. Nas atividades longas, o tempo estendido pode ajudar.
Sugestões de metas para o PEI
Sugestão: Lia será capaz de participar das atividades de artes por 10 minutos usando um material de sua escolha, com apoio verbal, em 3 de 4 aulas, até o fim do semestre.
Parecer da terapia ocupacional
Lia apresenta boa organização e coordenação para atividades de montar e de escrita. Evita texturas molhadas, o que reduz sua participação em artes. É independente no autocuidado na escola.
Acompanhamento
Terapia ocupacional, uma vez por semana. Contato pela clínica.
Disponibilidade para articulação
Fico à disposição da equipe para uma conversa sobre o caso.
Cidade Exemplo, 15 de setembro de 2026
Baixe o modelo em Word
O modelo tem os títulos das seções e uma linha de orientação em cada uma, sem dados de paciente. É grátis e não pede cadastro: baixe, apague as orientações e preencha.
Gere este relatório a partir das suas anotações
Conte como foi o período, por escrito ou por áudio, e o Relatoria monta o documento neste formato. Quando falta uma informação, ele pergunta ou avisa em vez de inventar. Você revisa e baixa em PDF ou Word.
Começar grátisGrátis para começar, sem cartão.
Outros modelos
- Relatório para convênioA reavaliação que vai para o plano de saúde: objetivos com status, instrumentos e justificativa para continuar.
- Evolução mensalO registro do mês: objetivos trabalhados, intervenções, resposta do paciente, análise e próximos passos.
- Avaliação inicialA primeira avaliação: encaminhamento, histórico, perfil ocupacional, resultados, análise, objetivos e conduta.
Fontes
- Decreto nº 12.686/2025 (Política Nacional de Educação Especial Inclusiva)
- Decreto nº 12.773/2025 (altera o Decreto nº 12.686/2025)
- Lei Geral de Proteção de Dados, Lei nº 13.709/2018
- Resolução COFFITO nº 425/2013 (Código de Ética e Deontologia da Terapia Ocupacional)
- Modelo de Programa Educacional Individualizado de uma rede de escolas particulares, disponível no site do MPPR
- Governo do Estado do Rio de Janeiro (FIA), modelo de PEI
- DGE (Portugal), o terapeuta ocupacional em contexto escolar
- Lins et al., terapia ocupacional e escola (Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional)
- CREFITO-5, modelos de documentos de terapia ocupacional (relatório e atestado)